Maternidade de Maria
13.05.2022 - 00:00:00 | 4 minutos de leitura

O Concílio de Éfeso (431) definiu explicitamente que Maria é “Mãe de Deus” . Sua intenção era afirmar a unidade da pessoa de Cristo. Reconhecer Maria Mãe de Deus significa, de fato, professar que Cristo, filho de Maria segundo a geração humana, é Filho de Deus e Deus ele mesmo. “Deus”, na expressão “Mãe de Deus”, designa unicamente a pessoa do Filho. A expressão justifica-se pelo fato de que cada mulher é mãe não só do corpo, mas da pessoa de seu filho. “Mãe de Deus”, teologicamente, não significa genitora da divindade, mas geradora do Verbo encarnado. O dogma da maternidade divina de Maria é fundamental; está na origem dos demais. Tudo o que Maria recebeu (graças, privilégios e títulos) tem sua origem nesse dogma.
A maternidade de Maria constitui seu título mais glorioso; essa maternidade não interessa somente a ela, mas a todo o povo de Deus. Deus quis ser homem. Maria foi o meio escolhido por Deus para a encarnação de seu Filho. Os caminhos de Deus e da humanidade cruzaram-se nela. O que valorizou a participação de Maria foi sua liberdade: livremente deu a Deus o seu “sim”. Não se pode aceitar um Deus encarnado sem aceitar Maria que lhe deu a carne humana.
Este dogma tem profundas e sólidas referências bíblicas. É com o título de “Mãe” que Maria é chamada, na maioria das vezes, no Novo Testamento: 25 vezes. Para os Evangelhos, Maria é, fundamentalmente, a Mãe de Jesus.
O texto de São Paulo aos Gálatas refere-se indiretamente a Maria (Gl 4,4): fala do Filho enviado pelo Pai na plenitude do tempo; ele nasce de uma mulher. Jesus aparece aí como o Filho pré-existente. Paulo deixa claro: Jesus de Nazaré não é apenas um homem bom, a quem Deus ama, escolhe e envia; não é tão-somente uma criatura privilegiada. Também não é alguém que começou a existir na encarnação. É Deus mesmo – existe, pois, desde toda a eternidade! Foi enviado pelo Pai, tomou a forma humana, dando-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus. Jesus é também o filho de Maria (cf. Mc 6,3; Mt 13,55; Jo 6,42). O Filho do Pai eterno e de Maria assume a fragilidade e a pobreza da condição humana.
O evangelista Mateus afirma a maternidade divina de Maria (cf. Mt 1,18-25): o anjo anuncia a José que aquele que vai nascer “salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,21).
O evangelista Lucas descreve a maternidade divina de Maria por meio de significativos símbolos do Antigo Testamento: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra...” (Lc 1,35). No livro do Êxodo (40,34) lemos que uma nuvem acompanhava o povo e envolvia a tenda de reunião onde estava a Arca da Aliança e, nela, o documento da Aliança. Assim como o interior da tenda de reunião estava repleto da glória do Senhor, assim também a potência do Espírito Santo, que desce e cobre Maria, faz com que seu ventre esteja cheio da presença de um ser que será chamado santo – é o Filho de Deus.
O mesmo evangelista descreve a visita de Maria a Isabel (Lc 1,39-44.56). Em 2Sm 6,2-16, lemos que a Arca da Aliança é transportada e viaja de Baalã de Judá a Jerusalém, e é acolhida pelo povo com alegria, saudada com música e louvores e reconhecida como presença de bênção e venerada com santo temor. Maria, a nova Arca, viaja até a casa de Isabel, é saudada com alegria e aclamada como bendita. Por ocasião dessa visita, João Batista exulta no seio de sua mãe.
Proclamar Maria Mãe de Deus significa proclamar que, realmente, o Reino “já está no meio de nós” (Lc 17,21; Mt 4,17). Deus já está dentro de nossa história e é um dos nossos, tendo assumido tudo, menos o pecado. Maria é aquela que, em nosso nome, colaborou para que isso acontecesse.
A Sagrada Escritura mostra a maternidade divina de Maria como um dom, uma dignidade e um serviço. Maria serve na medida em que se coloca à disposição do plano de Deus. A Igreja, que tem Maria como seu modelo, é chamada a fazer o mesmo: ser aberta a esse plano.
Foto de Anna Hecker no Unsplash
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