Visita a comunidade missionária de Porto Velho, RO
09.06.2011É com muita alegria que partilho algumas impressões da vida e do trabalho de nossos dois confrades na região amazônica. Há exatamente um ano e quatro meses que iniciamos nossas atividades naquela arquidiocese, com a criação da paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, localizada na parte extrema da cidade de Porto Velho, saída para da Br 364 para Cuibá, local de bairros em formação, muitos deles, fruto de ocupações.
O povo é predominantemente o amazonense, ribeirinho, com alguma contribuição de nordestinos. Segundo levantamento feito pela própria paróquia apenas 26% do povo declara ser católico batizado. Conta-se 68 igrejas de denominação pentecostal, enquanto só há 8 igrejas católicas. A presença da religião católica é apenas mais uma entre tantas opções de fé e culto. O sincretismo é grande. Para se ter uma idéia da ‘babilônia’, basta lembrar que na maior Escola do bairro, que é arquidiocesana (católica), há classes inteiras sem nenhum aluno católico. Os católicos são minoria. Há bairros e/ou capelas onde se pode contar nos dedos o número de famílias que participam da comunidade. Eis o tamanho do desafio evangelizador da ‘missão amazônica’.
Nossos padres dão um testemunho de vida simples e despojado. Verdadeira “Casa de Nazaré”, como é chamada a casa paroquial. O clima é respeitoso, fraterno e de oração. É grande a colaboração na missão comum. Com apenas um ano e quatro meses de presença, aconteceram as ‘missões populares’, com censo e levantamento da realidade, formação de discípulos missionários e lideranças, organização em grupos de reflexão, preparação de casais para sacramentos, formação de grupos jovens e de catequistas, etc. A nova paróquia já está organizada com pastorais – CPP, CPCs, dízimo e secretaria. Foi adquirido um sistema de ‘som’ para carro que permite fazer a comunicação na rua e divulgação das atividades da paróquia e comunidades. Foi encaminhado um projeto de casa paroquial para entidades do exterior, com a finalidade de obter verbas e dar início a sua construção.
Em nível diocesano, o padre Leonardo faz-se presente nos MCS, sobretudo, na Rádio Caiari, colaborando na edição e programação dos programas, a missa dominical transmitida e em programas de evangelização diários. O padre Renato ajuda bastante na formação do clero arquidiocesano e da região amazônica com palestras, retiros, assistência espiritual, presença em celebrações e na vida dos seminaristas menores e maiores. Ele também é o assistente espiritual do Apostolado da Oração da arquidiocese. Enfim, os padres participam de todas as atividades promovidas para o clero pela arquidiocese como formação, cursos, retiros e confraternizações.
O grande desafio que permanece é o da plena inculturação. É preciso valorizar e respeitar o solo sagrado onde pisamos – seu povo, sua história e caminhada eclesial. Nossa presença na região amazônica tem como lema: “ouvir, aprender, anunciar Jesus Cristo com um coração misericordioso”. Para isto é necessário ser cada vez mais presença testemunhal do amor de Coração de nosso Deus, por uma vida simples, fraterna e de serviço aos últimos. Estar com o Povo que Deus em suas necessidades, ajudando-os a construir uma sociedade fraterna e justa.
Porto Velho, 08 de junho de 2011
Pe. Léo Heck, scj





