Padre Osnildo escreve do Congo
14.06.2011Meus amigos e amigas de coração, apesar da distância, todos vocês estão sempre bem perto de mim, nos momentos de oração, principalmente na missa e na adoração diárias.
Vou bem e o noviciado caminha normalmente para o seu término, dia 14 de julho. 21 noviços vão fazer os votos, nesse dia. Depois, nossa casa aqui de Butembo vai se tornar curso propedeutico. E eu vou ser o diretor desse curso. Faltava na minha carreira de formador, participar dessa etapa de formação. Agora está completa : seminário menor, propedêutico, postulado, noviciado, pos-noviciado e formação permanente. Posso cantar agora o “Nunc dimittis” do velho Simeão.
O ano de noviciado, que está terminando, foi muito duro para mim. O grupo é numeroso, porque se uniram duas turmas. Logo nos primeiros dias, tivemos o ataque dos Mai-Mai que trouxe o terror, o medo. O grupo não queria mais ficar aqui. Eu sozinho tive de aguentar a barra e com o apoio do bispo diocesano, com a promessa das autoridades de segurança do municipio e do Estado conseguimos convencer nossos noviços a voltar para nossa casa. Depois desse acontecimento, a caminhada foi lenta ; eu mesmo tive de fazer minhas férias, porque estava bem esgotado. Durante minha ausência de três meses, outros fatos desagradáveis aconteceram. Alguns noviços foram mandados embora. Mas, graças a Deus, pouco a pouco, as coisas foram se ajeitando ; com dificuldade o grupo foi se aprumando e agora, no final da carreira, não está tudo perfeito, é verdade, um grande caminho ainda resta a fazer ; mas houve progresso, houve crescimento, humano e pricnipalmente, um grande sentido de pertença à Provincia Congolesa e à Congregação SCJ.
Infelizmente a encrenca que temos com vizinho por causa de terreno, continua. Aqui existe o eterno problema de terra. Compra e venda de terrrenos, tempos atras, eram firmados em papel de caderno, geralmente amarelado pelo tempo, rasgado etc. Ainda hoje existe isso aqui. Ja fiz fotocópia de compra e venda de terreno, dessa maneira : sobre um pedaço de papel. Por isso, toda a complicação com nosso terreno. O nosso vizinho, que já perdeu na justiça, insiste em ter o que é nosso de direito. Arranjou um documento falso e imediatamente tomou posse do terreno, roubou nossos cachos de banana, e começou já a cortar nossas árvores. Uma instância superior anulou o dito documento. A polícia já está em ação para expulsar o invasor. Proximamente, um novo julgamento. Vamos ver no que vai dar tudo isso. Nosso vizinho é um rico comerciante de Butembo. Mas não se contenta com o que tem. Quer cada vez mais. Ele faz parte da mafia dos comerciantes da cidade que não permite a entrada de nenhum outro comerciante que não seja da tribu nande, aqui em Butembo. Alguns poucos e ricos comerciantes dominam a cidade e o resto da população vive na miséria. Mandam nos preços e em tudo.
Fora isso, a população é muito católica. Candidatos à vida religiosa e sacerdotal são incontaveis. No dia mundial de oração pelas vocaçôes, mais de 300 jovens de algumas paroquias da cidade se reuniram para festejar e celebar aquela data. Imaginem que ficaram sentados escutando palestra, participando da missa e de outras cerimonias, durante 7 horas seguidas. E não se queixaram. Fomos almoçar às 17horas. As cerimônias começaram às 9h da manhã. Haja paciência !! Mas aqui tudo é assim bem demorado. Normalmente ao meio-dia eles não almoçam. Comem, geralmente, uma vez por dia, pelo fim da tarde. Ao meio dia chupam cana ou comem banana.
Nossa comunidade de Kiragho vai mudar quase toda. So eu fico aqui. Os outros formadores vão mudar. E vão vir novos confrades. Evidentemente,no início não vai ser facil. Começar tudo de novo, com seminaristas que, pela primeira vez, vão viver num clima de internato. Não temos energia elétrica da cidade. E preciso acostumar alguém a lidar com o gerador. Não é fácil. Temos que fazer o pão. Ninguém dos novos é padeiro. É preciso ensinar. Na liturgia temos que ensinar quase tudo, principalmente o canto dos salmos. Para me ajudar virão dois jovens estagiários, um padre brasileiro que se encarregará da plantação, do gado, dos porcos etc. E um irmão religioso. Eu mesmo me encarregarei da organização interna da comunidade. Penso que vai dar certo. O começo do ano está marcado para o dia 24 de agosto. Para nos é bem estranho começar o ano escolar, no meio propriamente dito, do ano civil. Mas não se pode mudar. Aqui se segue o calendário europeu, introduzido pelos primeiros missionários que para cá vieram.
Meus amigos, por hoje chega. Um grande abraço a todos. Saudades. P Osnildo





