O Patronato São José e o Seminário São José
18.03.2010O Patronato São José
Logo que chegou Pe. Dehon quis fundar um Patronato. Como começar? Escreveu ao Pe. Poiblanc, seu colega de estudos em Roma. A resposta chega a 28 de novembro de 1871 dizendo que o melhor método é o do padre Timón-David: “Antes de tudo não se deve temer em insistir na piedade da juventude. Temos de fazer deles cristãos fervorosos. Acho que se deve começar com um grupo pequeno, bem escolhido, formar seriamente este núcleo e desenvolver neles um espírito de fé e de piedade, criar neles hábitos de devoção e depois, ir agregando outros que seguirão o mesmo caminho. Quando o grupo for ampliado é preciso criar um núcleo mais fervoroso que seja como o fermento. Para começar basta um pátio ou uma sala, uma pequena capela ou oratório. É o ponto capital de tudo. Confere um carisma ao trabalho. A confissão freqüente é o eixo do trabalho com jovens. É bom ter alguns livros para emprestar, não apenas para combater as más leituras, mas também para que encontrem o que precisam e o que é agradável…” (Correspondência I, 1864-1871, LC 144 , p. 496-497).
Seguindo os conselhos recebidos, em março de 1872, uns quatro meses depois de chegar a São Quintino, reuniu uma dezena de meninos em sua casa nos domingos depois das vésperas. Eram meninos que tinham feito a primeira comunhão, estudantes do colégio dos irmãos Lassalistas.
Era um grupo seleto, bem instruído no catecismo e na Sagrada Escritura. Para que também pudessem se divertir, conversou com o senhor Julien, presidente dos Vicentinos para que pudessem ocupar seu pátio. Logo o número aumentou de modo que teve que comprar um terreno e construir um prédio de dois andares. Em janeiro de 1873 estava pronto. A 16 de março inaugurou a capela.
Com os membros mais antigos do Patronato, Pe. Dehon fundou a 23 de outubro daquele ano o Círculo Operário de São Quintino. Era o coroamento de sua obra. Era chegado o momento de começar com as associações. Em janeiro de 1876 ele fundou, com um grupo de 30 jovens, uma Conferência de São Vicente para atender aos pobres. A 14 de agosto de 1876 consegue permissão para fundar uma Congregação Mariana. Além disso, o Patronato tinha seus jogos, sua biblioteca e uma banda de música. Pe. Dehon dava um curso de economia aos membros do Círculo. Estudavam a situação operária da cidade. O ambiente era sempre cristão. Não se deve estranhar que em 1902 tinham saído do Círculo e do patronato 12 sacerdotes, um dos quais era o Pe. Claude Lobbé que depois sucedeu a August Herr na paróquia de Saint Martin em São Quintino. Conforme a prestação de contas de janeiro de 1875 já então dois jovens do Patronato tinham entrado no seminário. Convém observar que todas estas vocações se originaram no ambiente operário. O Patronato foi fundado para atender a juventude operária. Foi seu primeiro objetivo, que acabou tornando-se um celeiro de vocações. Em 15 de novembro de 1875, ao pedir ao Pe. Eschbach, do colégio francês em Roma, que sua Congregação, do Espírito Santo, tomasse conta das obras em São Quintino, escreve: “A obra daria vocações à sua Congregação que não tem casa alguma no norte da França”. Temos outro documento que mostra a mesma coisa. Trata-se de um informe que um dos irmãos de S. Vicente enviou, a 4 de dezembro a seu provincial. Ele tinha ido a São Quintino para ver a possibilidade de sua Congregação assumir o Patronato. Escreve: “Examinei especialmente a questão do ponto de vista das vocações. O Pe. Dehon assegura que as vocações serão numerosas. Considerando a proporção da população, tem mais sacerdotes que a diocese de Cambray” (AD B 36/2d.23; B 32/11).
(Tradução do texto de Egidio Driedonkx (CH) por Odilo Leviski – BM)






